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A mostrar mensagens de maio, 2020

Soldado Milhões (2018)

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Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa revisitam a Batalha de La Lys , em plena Grande Guerra, para lembrar que nem tudo foi atraso de vida e humilhação. Entre os "lanzudos" enviados para a frente de batalha, encontravam-se homens de coragem e um - Aníbal Milhais - que foi considerado herói pelos portugueses e aliados. Se a evolução do cinema português, em termos visuais, é evidente neste filme, há ainda caminho a percorrer em termos de som e sobretudo de construção da narrativa. Lá chegaremos. Com boas tentativas, como esta.

Passageiros (2016)

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Num futuro não muito distante , uma nave viaja para um planeta por habitar. Lá dentro, estão 5.000 pessoas que vão colonizar o novo mundo. A viagem dura 120 anos, nos quais os colonos devem estar em sono profundo. O problema é que, 90 anos, antes da chegada ao destino, Jim (Chris Pratt), acorda. O mecânico, em busca de um mundo onde seja relevante, vê-se sozinho numa nave, tendo como única companhia, Arthur (Michael Sheen), um androide barman, que lhe serve bebidas e companhia. Depois de uma boa parte do filme de Last Men on Earth meets The Martian meets Moon , Jim cai em tentação e arranja companhia à força. Apaixonado pela ideia de Aurora (Jennifer Lawrence), o solitário homem acorda-a, avariando a sua cápsula. Perdida, Aurora não se quer render ao destino de morrer na viagem e começa a procurar soluções, ao mesmo tempo que se apaixona irremediavelmente por Jim. Até que mais uma cápsula se avaria, a do capitão Gus (Lawrence Fihsburne) e o trio percebe que a viagem pode ser encurtada ...

Turn Up Charlie (2019-?)

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Para surpresa do mundo, Idris Elba tem um comediante dentro de si. Para desgosto do próximo, ninguém acreditou nisso e teve que ser o próprio a criar uma série de humor para estrelar. Nasceu assim Turn Up Charlie que coloca Elba na pele de Charlie, um DJ de meia-idade, que conheceu a fama há vinte anos mas que hoje vive com a tia, sem dinheiro e que mente aos seus pais, inventando um trabalho bem-sucedido e omitindo já não ter noiva. É quando o seu amigo de infância, David (JJ Field) regressa a Londres, que a vida do DJ começa a mudar. Há amor instantâneo entre Charlie e Gabs Gabs (Frankie Hervey), uma pré-adolescente de pelo na venta que não parece respeitar ninguém e de quem Charlie se torna…ama. Ao mesmo tempo aproxima-se de Sara (Piper Perabo), mulher de David e DJ famosíssima que lhe promete ajuda para um regresso à ribalta. Eis se não quando, do sorumbático Luther, sai um comediante de qualidade que nos oferece a surpresa do ano.

Newness (2017)

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  Nicholas Hoult, um dos mais interessantes atores do panorama atual, juntou-se à espanhola Laia Costa para um filme que explora as relações de hoje em dia. Jovem farmacêutico, bem parecido e sucedido, com um casamento breve atrás das costas, só conhece raparigas através de uma app, aborrecendo-se rapidamente das suas conquistas e ignorando as mulheres de carne de osso que estão mesmo ao seu lado. É também através dessa app que Gabi, sempre entre profissões porque se aborrece rapidamente, conhece homens. O casal conhece-se e acaba por se apaixonar e viver um relacionamento intenso. Pelo menos até ao aborrecimento e a realidade tomarem conta da relação.

The Big Sick (2017)

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O comediante paquistanês Kumail Nanjiani conta a sua história de amor (verídica). Na altura em que os seus pais queriam que fosse advogado e casasse com uma rapariga paquistanesa (Kumail colecionava as fotografias que as pretendentes lhe ofereciam nos jantares combinados pela mãe), Kumail tentava a sua sorte como comediante nos bares de Chicago e conhecia Emily (Zoe Kazan), por quem se apaixonou. E quando a relação parecia condenada pela sombra das tradições familiares de Kumail, Emily adoece gravamente e Kumail fica com ela, ao longo do coma e conquista os pais e Emily, Beth (Holly Hunter) e Terry (Rai Romano).

Euphoria (2019-?)

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Cru, duro e muitas vezes, literalmente nu, assim é o retrato que Euphoria faz da adolescência ocidental, onde há necessidade viver tudo, no limite e rapidamente. No centro, está Rue (Zendaya, ex-menina Disney), que regressa às aulas após um verão de overdose e desintoxicação. Atormentada pelo passado e com necessidade constante de escape, continua a drogar-se, engando a mãe e irmã e caminhando para o abismo, seja lá isso, o que for. Eis se não quando, lhe aparece à frente, Jules (a ativista Hunter Schafer), cheia de estilo e de dores da separação dos pais e se torna na sua melhor amiga e razão de abstinência de drogas, ao mesmo tempo que se apaixona por estranhos via app´s. Num mundo digital, há ainda a gordinha que perde a virgindade e é filmada, acabando por virar o jogo e transformar-se numa sensação sexy em sites pornográficos. Há o menino perfeito, com uma a namorada perfeita que cresce à sombra de um pai dominador e que tem tendência para o controlo e violência. E existe a boazon...

Cassandra Darke (2018)

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Perdido na Feira do Livro, a menos de 10 euros (a etiqueta dos tempos áureos indicava mais de 25, merecidos), estava este Cassandra Darke, de 2018, nascido da cabeça, pena e estirador de Posy Simmonds, conhecida por ter criado a personagem de Tamara Drewe, que até chegou ao cinema através do corpo de Gemma Arterton. Graphic novel de fino recorte, leva-nos ao dia a dia de Cassandra, uma londrina endinheirada que vende obras de arte e vive numa casa de 7 milhões de libras. Já se sabe que dinheiro não é tudo e Cassandra nada quer com a simpatia, alegria ou sequer, com a empatia. Quando a filha do ex-marido vai viver com ela, Cassandra lá arranja forma de encontrar um coração para ajudar a pequena em apuros, num livro com piscar de olho a um Charles Dickens festivo.

Aos olhos da justiça (2019)

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Em 1989, uma jovem foi violada e espancada em pleno Central Park, em Nova Iorque. O ato bárbaro levou a que cinco adolescentes fossem condenados a consideráveis penas de prisão. No entanto, apesar de terem estado encarcerados doze anos, não chegaram a cumprir as suas penas na totalidade. Em 2002, o verdadeiro criminoso, num rebate de consciência, confessou-se e foi preso. Os cinco foram libertados, indemnizados e são agora homenageadas numa série Netflix. A homenagem, justa, mostra como a justiça escolheu e condenou cinco jovens negros, de poucos meios, por um crime que não cometeram, mudando para sempre o rumo da sua vida. A questão levantada é simples e complexa: estão os EUA livres de voltar a fazer o mesmo?

With love, Simon (2018)

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Nem o facto de ter um grupo unido de amigos que o adoram e uma família liberal que o ama, faz com que Simon se sinta capaz de revelar o segredo que esconde há quatro anos. Simon é gay. Mas ninguém, que não ele, sabe ou desconfia. Simon não entra em estereótipos e até teve namoradas, mas sabe claramente o que é e espera pela conclusão do secundário para ser um universitário abertamente gay. Quando o blogue da escola revela Blue, um anónimo, como gay, Simon começa a construir com ele uma relação via email. Uma interpretação poderosa de Nick Robinson, ora bem humorada, ora angustiada que mostra que em 2019, ainda não é fácil alguém assumir-se gay.

Tag (2018)

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A história verídica de um grupo de amigos americanos que jogam ao tag (apanhada) todos os anos, em maio, dando uso aos truques mais loucos, pariu um filme hilariante que junta um belo elenco: Jeremy Renner, Ed Helms, Jake Johnson, Jon Hamm, Hannibal Buress, Annabelle Wallis, Isla Fischer ou Susan Rollins. A história tem pouco que saber. Jerry nunca foi apanhado em anos e anos do jogo e o grupo volta a juntar-se, na altura do seu casamento para o apanhar. Previsível e pateta muitas vezes, acaba por ter meia dúzia de gags que fazem valer a pena gastar mais de hora e meia. Richard Hendricks é um informático que cria uma app – Pied Piper – que permite comprimir ficheiros como nunca antes. Assim, deixa a Hooli, empresa gigante onde trabalha para, com três amigos, desenvolver a aplicação e procurar a grandeza. O caminho mostra-se difícil e, invariavelmente, hilariante. A Richard (Thomas Middleditch), juntam-se Gilfoyle (Martin Starr), que, acima de Satã, só adora mais fazer pouco dos outros ...

Estrela do Norte (2018)

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Estrela do Norte, uma das sensações literárias dos últimos tempos, é tudo o que se diz sobre si. É um livro cheio de ritmo, ao estilo dos melhores policiais, que não da vontade de pousar mas contém uma história bem construída e personagens ricas, não querendo ser apenas um pageturner sem alma. O regime da Coreia do Norte e os seus segredos servem de base às histórias das personagens: Jenna (filha de pai americano e mãe coreana), chamada a ajudar os serviços secretos americanos na esperança de saber o que aconteceu à irmã gémea desaparecida há anos e que é chamada a infiltrar-se no país mais perigoso do mundo; Moon, uma camponesa norte-coreana que encontra um pacote proibido e faz dele o trampolim para montar um negócio e ter uma vida melhor que já percebeu que o seu país nunca dará, Cho, um oficial do exército da Coreia do Norte que é enviado a Nova Iorque em missão percebe que o Ocidente não é necessariamente o Diabo e ainda o jovem Kim Jung-un, numa escola de elite suíça onde conhece...

Passamos pelas coisas sem as ver

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Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.   Eugénio de Andrade  

Era uma vez em Hollywood (2019)

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“Era uma vez em Hollywood”, o novo de Tarantino, não me arrebatou como “Inglorious Basterds”, “Kill Bill” ou “Django”, os meus filmes favoritos de Quentin. Nem sequer, me arrebatou moderadamente como Jackie Brown ou Cães Danados. Aqui chegado, percebo estar a pôr-me a jeito de insultos e havendo tantos milhares de pessoas que percebem mais de cinema do que eu, tais insultos serão justificados. Aceito-os. Mas esta é apenas uma opinião. “Era uma vez…”, durante e depois, não me conquistou. É longo de mais (isso, mantenho), com toques de aborrecimento (mantenho) e parece não ter história (mantenho, mas isso não é mau). E é esta última parte que eu não entendi de imediato. Tarantino sabe escrever boas histórias. Se “Era uma vez…” parece não a ter é porque Tarantino não quer e porque não é preciso. “Era uma vez…” é um filme que presta homenagem ao cinema e televisão, sobretudo dos anos 60, como foco no western e no western azeiteiro europeu, filmado em Itália. É uma grande homenagem em forma...

Os Últimos Czares (2019)

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O fim dos Romanov – brutalmente assassinados na cava da casa onde eram prisioneiros políticos – é conhecido. O percurso do Czar Nicolau II desde a subida ao trono até aquela cave, nem tanto. É esse percurso que Os Últimos Czares, série documental da Netflix, nos ajuda a perceber. Recorrendo a atores - Robert Jack, Susanna Herbert ou Ben Cartwright e a estudiosos dos Romanov, como Simon Sebag Montefiore, a série é uma espantosa reconstituição de uma Rússia imperial, em queda, muito graças à forma como o Czar contraria os seus instintos e deixa que a opinião dos que o rodeiam sejam prevalentes. Uma fabulosa reconstituição de época.

Huge in France (2019-?)

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Gad Elmaleh, um dos maiores comediantes franceses, faz de si próprio nesta nova série do Netflix, que explora, com muita piada a diferença entre ser famosa em França e nos EUA. Farto do sucesso garantindo em França, Gad regressa aos EUA onde vive o filho de 15 anos com o qual quase não tem relação. Habituada a ser uma estrela, Gad descobre sem se conformar, que ninguém o conhece nos EUA e que não pode usar a sua influência para ajudar o filho na carreira de modelo, o atalho para ganhar a admiração do rapaz. E só conta com Brian, um solicito assistente como apoio...

Undercover (2019-?)

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Depois do sucesso da organização do Campeonato da Europa de Futebol de 2000, Bélgica e Holanda voltaram-se a unir para, desta vez, para coproduzirem uma série para a Netflix, sobre o tráfico de pastilhas a partir da região belga de Limburg, aqui apresentada como a “Colômbia do Ecstasy”. Bob (Tom Waes) e Kim (Anna Drjver) são polícias que põem a vida em suspenso para se fazerem passar por um casal que se instala no parque de campismo de Limburg. O cenário algo decrépito, parrasse não ser o local ideal de férias de um barão da droga, mas é lá que Ferry Bouman (Frank Lammers) se sente em casa e tem o seu chalé. Rodeado por bando de aparentes idiotas, Ferry parece ser um Tony Soprano wannabe (e vê-se que Os Sopranos e Breaking Bad tiveram influência nos autores de Undercover). Mas nas primeiras cenas do vilão da série, entendemos que a sua vilania é a valer. Faz milhões com pastilhas e é duro com os que com ele trabalham. Aqueles que o traem já sabem que não vivem outro dia. Com ar de urso...

Lambs of God (2019)

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Algures na Austrália, numa ilha esquecida pela Igreja e pelos tempos, vivem três irmãs, as últimas da peculiar Ordem de Saint Agnes. Iphigenia (Essie Davis) e Margarita (Ann Dowd) juntaram-se à ordem para fugir das suas vidas e Carla (Jessica Barden), só sabe que foi deixado à porta do convento em ruínas que lhe serve de casa. Entre orações e histórias, as irmãs cuidam os seus cordeiros (que acreditam ser a reencarnação das irmãs que já partiram) e tricotam a sua lã. A sua vida calma é interrompida quando o Padre Ignatius (Sam Reid) chega à ilha para avaliar a propriedade onde vive as irmãs, que ele nem sabia que existiam. A Igreja quer vender o mosteiro que será transformado num hotel de luxo. E isso, é algo que as três irmãs não podem permitir, fazendo da vida de Ignatius, um cativeiro e um inferno. Mais de quatro horas cheias de surpresas, a começar pela época. Quando penamos estar algures na Idade Média, o telemóvel de Ignatius toca…

Sweet Tooth (2009-2013)

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Publicada entre 2009 e 2013, a banda desenhada Sweet Tooth, de Jeff Lemire, conta a história de Gus, meio menino, meio veado. Num futuro pós-apocaliptico, grande parte da humidade morreu devido a uma estranha doença. Aqueles que sobreviream patecem comdenados a vir a sofrer da doença. A única esperança parecem ser os nascidos após o "evento", híbridos de homens e animais de espécies variadas. Após nove anos a viver apenas com o pai numa cabana no bosque, isolado de tudo, Gus faz-se à vida após a morte do progenitor, sendo obrigado a viver por si próprio. Pelo menos até encontrar uma nova figura paternal.

Refrigerantes e canções de amor (2016)

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"Refrigerantes e Canções de Amor" é o filme do Markl. Nuno Markl, que dispensa apresentações, começou a escrever a história quando se separou da primeira mulher e completou-o mais tarde. Só agora, passou à fita, com a realização de Luís Galvão Teles. Ficamos já conversados: esta é uma comédia romântica bem conseguida, divertida, com ideias extravagantes e com muito boa música. (acreditem, a banda sonora fica na cabeça). Lucas (Ivo Canelas) e Pedro (João Tempera. Quem? O protagonista d´Os Filhos do Rock. Ah) eram uma dupla musical de grande sucesso. Quando se decidem separar, Pedro segue uma carreira de ainda maior sucesso e acaba por roubar Carla (Lúcia Moniz) ao antigo colega e amigo. Já Lucas, compõe canções para anúncios publicitários e tem uma vida deprimente e solitária (temos um Jorge Palma imaginário para animar o nosso herói). A vida de Lucas muda quando conhece uma doce rapariga que, por causa do seu trabalho de promoção de refrigerantes, passa o dia vestida de dinos...

Sociedade Melo & Caviá

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Nos anos de infância e início da adolescência fui obcecado por banda-desenhada sendo apaixonado, até hoje, por Tintin, Asterix, Gaston ou Lucky Luke. Na idade adulta, esse vício desvaneceu-se, mas há poucos meses, por influência de um amigo, voltou a aparecer. Sendo adulto, chamo-lhe agora graphic novels e não BD e compro-as muitas vezes em inglês e por preços mais elevados do que os mil e quinhentos escudos que na altura bastavam para ter um novo volume. Leio também mais rápido, tornando este vício numa aventura cara. Mas compensadora. Lamurias à parte e depois de me atualizar em séries de sucesso internacionais como Saga, Chew, Southern Bastards ou Descender, virei-me para Portugal e para a genialidade de Filipe Melo, também conhecido como músico e agora como participante do podcast “Uma Nêspera no Cú”. Comecei pelo fabuloso “Os Vampiros”, sobre um grupo de soldados portugueses no Ultramar e as suas angústias, desenhadas de forma brilhante por Juan Cavia. Voltei agora para uma série ...

O Pioneiro (2019)

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Jesus Gil y Gil (1933-2004) é conhecido em Portugal por ter sido presidente do Atlético de Madrid, tendo em muito contribuído Paulo Futre para a sua eleição, como decisivo trunfo. Polémico no futebol, a nova série da HBO, O Pioneiro, conta a vida do espanhol, que foi, afinal, polémico em todos os aspetos da sua vida. Recorrendo a diversos testemunhos, desde o dos filhos ao dos opositores políticos, passando por Futre, e a imagens da vida pública de Gil, este documentário conta como o empresário se fez, fazendo fortuna a qualquer custo mas sempre de forma engenhosa e inovadora criando uma cidade onde nada existia ou vitalizado Marbella, colocando-a no mapa do luxo. Vendedor de carros, promotor imobiliário, presidente de um clube ou político foram algumas das facetas de um self made man à espanhola.

Prece ao nascer do dia (2017)

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  Joe Cole, um dos infames irmãos Shelby em Peaky Blinders, dá corpo à história verídica de Billy Moore, lutador inglês, preso na Tailândia, por tráfico de droga. Ao longo de duas horas, acompanhamos a vida dura de Billy numa prisão sobrelotada – a mais perigosa e mal-afamada da Tailândia - sem condições sanitárias e com pouca segurança. Com a ajuda de drogas e do seu caracter combativo, Billy consegue sobreviver à brutalidade dos companheiros de carcere e dos carcereiros. Mas o caminho da sua redenção, só se inicia quando lhe é proposto representar a prisão, num torneio de muay thai. A vitória garante-lhe o respeito dos que o rodeiam e uma redução da sua pena. Prece ao nascer do dia, inspirado no livro de memórias de Moore, é uma lição de humanidade.

Jerry Stiller (1927-2020)

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Morreu, aos 92 anos, Jerry Stiller, ator com 115 papeis no cinema e televisão. Pai de Bem, outro “monstro” do humor norte-americano, Stiller foi também pai de George Constanza em Seinfeld e o sogro de Kevin James em 9 anos de The King of Queens. Foi a voz de diversos desenhos animados e fez vários cameos. Morre uma figura central do humor mundial.

Uma Vida Escondida (2019)

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Mesmo perante a pressão dos seus concidadãos e autoridades locais, incluindo a Igreja, Franz, simples agricultor austríaco dos anos 40, recusa a juntar-se ao exército nazi. Preferindo ser traidor a lutar por uma causa injusta, Franz acaba por deixar a mulher as filhas a lutar pela sobrevivência numa das épocas mais complexas da história recente. É o regresso de Malick aos grandes filmes, depois de alguns projetos mais obscuros, num triunfo narrativo e, como sempre em Malick, um triunfo visual.

Castlevania (2017-?)

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Castlevania cruza o mundo de um popular videojogo com o anime japonês e é um sucesso. Percebo porquê, mesmo nunca tendo jogado o título ou sem ter o olho treinador para a animação japonesa. Vlad Tepes, que é como quem diz Drácula, recebe a visita da intrépida Lisa, decidida a que o vampiro lhe ensine os segredos da medicina, para que possa ajudar os humanos. O casal apaixona-se, casa-se e até tem um filho, mas coincidindo com a ausência de Drácula, a Igreja condena Lisa à fogueira como bruxa. Regressado, Vlad trata da sua vingança: exterminar a humanidade, recorrendo a todo o tipo de demónios sanguinários (aqui começamos a ver a violência bastante visual pelo qual a anime é também conhecida). Para evitar o fim do Homem, junta-se um vampiro (só vendo perceberão porquê), uma humana com poderes e Trevor Belmont, o último de uma família de caçadores de vampiros e outras ameaças para a humanidade, fazendo o papel de anti-herói. A terceira temporada está a caminho e promete ser mais do mesmo...

Papillon (2017)

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Em 1973, Papillon, foi um enorme sucesso. Steve McQueen foi chamado a interpretar Henri Charriere, marinheiro feito ladrão e apelidado de Papillon e Dustin Hoffmann fez de Louis Dega, frágil, mas astuto e rico. A improvável dupla, condenada por crimes em França, muda-se para uma pouco agradável estadia na Colónia Penal da Guiana Francesa. Injustamente condenado, Papillon, pensou na fuga, desde a primeira hora e viu no dinheiro de Dega, uma forma de a conseguir. Numa estadia muito superior ao esperado, sobretudo Papillon, sofreu os horrores de sete anos na solitária, nunca quebrando, antes de conseguir, finalmente, fugir e fazer da Venezuela, a sua casa (true story). Em 2018, Charlie Hunnam tomou o lugar de McQueen e Malik, o de Hoffmann. E é claro que se trata de um bom filme. A história é boa, os atores são bons e os recursos técnicos, são fatalmente superiores. Mas o que traz de novo?

Às portas da eternidade (2019)

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A obra de Vicent Van Gogh dispensa apresentações. A vida do pintor, nem tanto. O mesmo terá pensado Julian Schnabel que usou William Defoe (nomeado para Oscar de Melhor Ator) para dar corpo a um Van Gogh nos últimos anos da sua vida, os mais atormentados e os mais produtivos. Com planos à la Malick, o realizador apresenta-nos Van Gogh como um homem despojado de bens materiais cujos dias se resumem a pintar, sobretudo a natureza do campo francês. Ao mesmo tempo, vemo-lo como um pária na pequena cidade onde vive e ninguém o compreende, o que lhe vale acessos de loucura e muita bebida. Preocupado com o legado que deixará, Van Gogh pinta sem parar mesmo que apenas o seu irmão e mecenas, Theo (Rupert Friend), acredite nele. Até o amigo Gauguin (Oscar Isaac) passa algumas semanas na sua companhia, mais pelo patrocínio de Theo do que outra coisa, levando Vicent a um acesso de loucura na sua partida. Segue-se o hospício de San Remy (fabulosa a cena com o padre interpretado por Mads Mikkelsen) ...

The Hot Zone (2019)

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Julianna Margullis (ER e The Good Wife), Liam Cunningham (Game of Thrones) e Topher Grace (That '70s show) lideram o elenco de The Hot Zone, uma minisérie do National Geographic, sobre a história verídica de um surto de ébola descoberto nas instalações de pesquisa de Reston, EUA, em 1989. Margullis é Nancy Jazz, tenente-coronel do exercito norte-americano, que tenta conter o surto, sem causar uma onda de pânico, levando a que as suas ações tenham que ser mais ou menos secretas. A série estreia-se numa altura em que o vírus altamente infeccioso está ativo e já matou 1.866 pessoas desde agosto de 2018, altura em que a República Democrática do Congo declarou o seu décimo surto de ébola nos últimos 40 anos. É o segundo surto mais mortífero do ébola desde que há registo.

Colateral (2018)

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Se nem sempre vou com a cara falta-de-sal de Carey Mulligan,  desta vez  ela vai muito bem como detetive londrina, grávida mas com vontade de levar um estranho caso de homícidio até ao fim. Na linha do melhor que se fez nos últimos anos para aqueles lados como  Broadchurch, Sherlock ou Midsomer Murders, Collateral é uma aposta Netflix, em formato minisérie que merece um olho atento.

Lanzarote (2000)

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O francês Michel Houellebecq conquistou-me em 2015, com Submissão, onde imaginava que França seria controlado por um partido islâmico que faria valer os seus ideais. Desde logo se notava a sua escrita mordaz e a sua obsessão por personagens autobiográficas profundamente cínicas, egoístas e com um apetite sexual voraz. Em Submissão, na Paris de 2020, François, um professor universitário que gosta mais de ter relações com alunas do que de outra coisa menor como ensinar, vê-se a braços com a escalda do Partido da Fraternidade Muçulmana, chegando a fugir da capital francesa. Em Lanzarote, chegado agora às livrarias portuguesas, com 17 anos de atraso, Houellebecq, dá voz mais um homem ao qual pouco interessa na vida. Aborrecido da sua vida francesa, procura umas férias que o seu pequeno orçamento possa pagar. Calha-lhe a “lunar” Lanzarote (nada desconhecida entre os portugueses, como será da maior parte dos leitores do resto do mundo, não ibéricos) onde sente um misto de emoções: curiosidad...

Unorthodox (2020)

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Unorthodox traz-nos uma história baseada em factos reais sobre a fuga de uma jovem judia de uma comunidade ortodoxa de Nova Iorque na qual se sentia aprisionada. Trata-se de um relato de libertação e empoderamento feminino no meio de uma sociedade cujas fronteiras são traçadas psicologicamente. Embora invisíveis, são reais e amarram e obrigam uma comunidade à reprodução dos guetos judaicos na Europa. Num gesto de catarse da História, é na Berlim que condenou milhões de judeus que Esti irá encontrar a libertação.

May the 4th be with you!

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The Loudest Voice (2019)

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The Loudest Voice , nova aposta da Showtime, disponibilizada em Portugal via HBO, conta a história da criação e ascensão da Fox News, canal aqui mostrado como o braço armado de uma América do Norte altamente conservadora. Baseado no livro de 2014, “The Loudest Voice in the Room: How the Brilliant, Bombastic Roger Ailes Built Fox News--and Divided a Country”, de Gabriel Sherman, a minisérie (6 episódios de cerca de uma hora cada um), chama o australiano Russell Crowe a vestir a volumosa pele de Roger Ailes, assessor de Nixon, Reagan e George. H. W. Bush ou Giuliani antes de se dedicar ao mundo da televisão, nunca pondo de parte a sua veia política. Em 1996, a pedido de Rupert Murdoch, liderou a Fox News que mudou para sempre a forma de fazer informação em televisão.  Apesar de aparentemente datada, a série aborda questões pertinentes e atuais como a ideologia atrás de supostas notícias ou o assédio por parte de pessoas numa posição de vantagem, como era o caso do próprio Ailes. 

The Deuce (2016-2019)

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James Franco (Owl, Springbreak ou Milk) e Maggie Gyllenhaal (A Educadora de Infância, A Secretária ou Frank) são, a meu ver, dois dos mais interessantes e originais atores do momento e os papeis centrais em The Deuce, ficam-lhes a matar. Franco faz de Frankie, um fura-vidas e do seu irmão gémeo, Vicent, empregado de bar com uma mulher ainda mais leviana do que o próprio. Já Gillenhall, é Candy, a única prostituta de rua que dispensa “agente”, tendo o seu destino (e honorários) nas suas próprias mãos. Estamos nas zonas menos recomendáveis da Nova Iorque dos anos 70 (chegaremos aos 80) e vamos acompanhar a escalada do trio enquanto a indústria da pornografia cresce e a face da cidade muda.  Vicent faz das dívidas do irmão à máfia, uma oportunidade e não para de abrir estabelecimentos de sucesso (deixa para Frankie e para o cunhado, os menos próprios). Já Candy, troca, aos poucos, as ruas por uma carreira de estrela porno, dando uma nova roupagem à realização e produção do género. Mas The...

A rapariga que viveu duas vezes (2019)

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Com três volumes da Saga Millennium, escritos e entregues, Stieg Larsson, morreu. A história ficou a meio (ou nem isso, já que se falava em 10 volumes) mas as personagens da hacker punk, Lisbeth Salander e do jornalista intrépido Michael Blomkvist, tornaram-se imortais e galgaram para o cinema sueco e depois, norte-americano. Noomi Rapace ganhou projeção internacional ao fazer de Lisbeth e Rooney Mara e Claire Foy também lhe vestiram a pele. Já a pele de Michael, já foi de Michael Nyqvist, Daniel Craig e Sverrir Gudnason. Mais do que a sua própria obra, Larsson abriu espaço para que dezenas de autores nórdicos invadissem o mercado livreiro com narrativas semelhantes, cheias de anti-heróis (como Harry Hole, polícia durão das páginas de Jo Nesbo) ou heróis improváveis (como a escritora Erica que ajuda o marido Patrick a fazer o seu trabalho policial nas páginas de Camilla Lackberg) e crime hediondos misturados com o dia a dia de famílias nórdicas normais (há sempre alguém a aquecer bolos...