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A mostrar mensagens de abril, 2020

A Herdade (2019)

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A Herdade, filmado por Tiago Guedes, começa a conquistar na primeira cena, graças a uma fotografia fabulosa que nos acompanhará até ao fim (aquela cena escura do cavalo e do cavaleiro, no chão é uma cena clássica instantânea). Logo na primeira cena, percebemos o tom duro da narrativa. Um homem enforcado, um homem que o observa e um miúdo que deve aprender uma lição sobre a finitude. Está apresentado o filme que tem dado nas vistas e que já cheira a Oscar (feliz, o título inglês, “The Domain”). João Fernandes (Albano Jerónimo), o tal miúdo, já crescido, é dono de uma ampla herdade (Comporta) no Portugal de 1973. É duro com o filho, Miguel, dos seus 3 ou 4 anos; é distante com a mulher, Leonor (Sandra Faleiro), filha de um general do regime e é firme, mas justo com os homens e mulheres que trabalham as suas terras. Joaquim (mais uma bela interpretação de Miguel Borges) é o seu fiel escudeiro. João vive apenas para as suas terras, herança do pai, duro como ele, e que quer deixar ao filho ...

The Forest (2017)

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Rodada na floresta de Ardennes, região que une a França, a Bélgica e o Luxemburgo, esta série francesa de uma temporada é obrigatória para quem gosta de um bom caso policial com um enredo psicológico. Numa pequena vila, a morte de uma jovem vai perturbar (novamente) os locais, fazendo-os desconfiarem uns dos outros. Numa pequena área habitacional, as vidas cruzam-se de forma inevitável. Há segredos do passado a vir à tona. 

Irrfan Khan (1967-2020)

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Vítima de cancro nos intestinos, o ator indiano Irrfan Khan, morreu aos 53 anos . Khan, que entrou em 150 filmes, destacou-se em Inferno, A Lancheira, A Vida de Pi, O Fantástico Homem Aranha ou Quem quer ser bilionário. 

King (2019)

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Nascido em criado em Hell´s Kitchen, terra de super-heróis, o franzino e bonito Timothy Chalamet, é, aos 23 anos, um ator em destaque, após ter entrado no último de Woody Allen e ter estrelado “Call me by your name” onde descobria e explorava a sua homossexualidade numas férias de verão em Itália e “Beautiful Boy”, onde era o filho problemático de Steven Carell. Chalamet, durante mais de duas horas, é também o Rei Henrique V, de Inglaterra, conhecido pela sua luta contra França. Chalamet, filho de um francês, terá ficado chocado com o sotaque do canastrão Robert Pattison mas isso não o impediu de ter um dos desempenhos mais gloriosos da sua curta carreira. Em King, produção Netflix, Chalament é um jovem príncipe, mais interessado em mulheres e bebida do que em política. Afinal, esse é o reino do pai, Henrique IV (Ben Mendelsohn em mais um personagem melancólico), que Hal (como é conhecido pelos amigos de bebedeira) despreza. Quando Thomas (Dean-Charles Chapman, o Tommen de Game of Thro...

O Irlandês (2019)

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No início do filme, ao som de uma música que percorre um lar de idosos, um De Niro em fim da linha, numa cadeira de rodas, rouba a voz ao narrador. Usa da palavra para se resumir pintor de casas. Logo percebemos que a descrição da sua profissão não é literal. O Irlandês, novíssimo de Scorcese, conta a história verídica de um assassino a soldo da máfia italo-americana, Frank Sheeran, responsável por milhentas mortes. Feito de idas ao passado, o filme mostra diversas fases da vida de Sheeran. No presente da ação, é um velho, viúvo, já sem os seus amigos e companheiros de armas e com uma relação difícil com as filhas, que cresceram lado a lado com a sua fama e proveito e o condenaram a uma relação distante ou até, violentamente inexistente (a filha que deixa de lhe falar é a única juíza que lhe dá uma pena que custa cumprir). É neste presente, que vemos Frank a escolher um caixão e uma gaveta onde passará os anos que se seguem à morte. Não quer ser enterrado, a gaveta parece-lhe “menos fi...

O Imortal (2019)

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Criticado pela escrita leve, José Rodrigues dos Santos é um campeão na venda de livros em Portugal, colocando milhares de portugueses a consumir a sua obra. Sendo que cada um dos seus livros tem centenas de páginas, custa cerca de vinte euros e tem uma periodicidade anual, isso é obra. Não sou especial admirador da escrita. Não critico a leveza. Não há mal nenhum em ir direto ao assunto. É aliás, algo bastante natural em certas literaturas. Não gosto tanto da tentativa de embelezamento da narrativa com adjetivos desnecessários. Não gosto do rumo de muitas histórias, nem de um académico fazer o improvável (como ir ao espaço). Mas lá está, não é nada que Robert Langdon, não faça nos livros de Dan Brown. Sou especial admirador da forma como escolhe temas, atuais e pertinentes (ou partes menos claras da história, na vertente de romance histórico) e como compila e simplifica informação variada sobre os mesmos, fazendo um trabalho quase jornalístico. Nos livros de JRS, aprende-se e isso nunc...

Dois Papas (2019)

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Dois Papas, o novo de Fernando Meirelles (A Cidade de Deus, O Fiel Jardineiro ou Ensaio sobre a Cegueira), confirma o fim de ano explosivo do Netflix, que já nos tinha brindado com Irishman e Marriage Story, dois dos melhores filmes do ano. Aqui, testemunhamos a relação entre o Cardel Ratzinger, mais tarde, Papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o Cardeal Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce). Se há ação antes – a eleição de Ratzinger, ficando Bergoglio em segundo lugar – o filme centra-se numa ida do argentino ao Vaticano para pedir a sua reforma e nas conversas que o encontro precipita em jeito de balanço autocritico de vida. Crítico do caminho que a Igreja toma, Jorge, quer voltar a ser um simples padre. Mas Ratzinger já pensa em retirar-se e ultrapassado algum antagonismo, vê naquele Cardeal sul-americano, um sucessor perfeito. Os flashbacks da vida de Jorge, vão-se sucedendo e nem todos orgulham o Cardeal que gostaria de ter tido um papel mais ativo na luta contra a ditadura. Com duas mons...

Dolemite is my name (2019)

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Aqui, Eddie Murphy é chamado a fazer de Rudy Ray Moore, figurona verídica que depois de anos a falhar como stand-up comedian, conheceu o sucesso como Dolemite, comediante cheio de graça e ritmo, que, descoberto pelos rappers dos anos 80, seria sua fonte de inspiração. No filme, vemos a ascensão de Rudy, de MC de segunda até ser uma estrela nacional, passando dos palcos e discos de comédia para a produção e interpretação de um filme que se tornaria de culto. Involuntrauamente engraçado, o filme, cuja história ocupa grande parte do filme, teve um making off único que é muito bem explorado. Um dos filmes mais interessantes do ano, escondido à vista.

25 de abril sempre!

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Parasitas (2019)

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Foi Palma de Ouro em 2019, brilhou nos Óscares de 2020 e foi um sucesso de bilheteira, um pouco por todo o mundo, a começar pelo seu país – Coreia do Sul – onde é o filme mais visto de sempre. Parasitas, feroz crítica social, é um filme a ver e rever. Melhor filme do coreano Bong Joon-ho (The Host, Snowpiercer ou Okja) até ao momento, Parasitas, apresenta-nos uma família coreana (pai, mãe, filho e filha), paupérrima, que vive numa cave onde não é raro verem bêbados a fazer as suas necessidades e que vai subsistindo à custa de biscates e de muita “ratice”. Desempregados, pai e mãe parecem conformar-se com a sua sorte enquanto que os filhos se deixam andar, mais preocupados com apanhar wifi de um vizinho, do que com a sua dignidade.   Um dia, num golpe de sorte, um amigo do filho, escancara-lhe as portas da casa de uma família rica. A mãe rica, alheada do mundo, deixa-se impressionar pelo filho pobre e logo o contrata. A filha rica, essa, fica à mercê do charme do novo explicador cujo sa...

O caso de Richard Jewell (2019)

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Em 1996, quando Atlanta recebia os Jogos Olímpicos,  Richard Jewell  destacava-se, primeiro como herói, depois, como vilão. Jewell, segurança, valorizou uma mochila abandonada que viria a explodir, minimizando os estragos. Ganhou logo dimensão mediática, rivalizado com as estrelas olímpicas de então. Mas o polícia falhado, com excesso de peso que vivia com a mãe, acabou por estar no centro de uma investigação do FBI que o quis ver como culpado de ter colocado a bomba que descobriria, para ser fabricar como herói. É a jornada para provar a sua inocência, que o olhar maduro e certeiro de Clint Eastwood traz aos cinemas com “O caso de Richard Jewell”.  Paul Walter Hauser é Richard, muito bem acompanhado por Sam Rockwell como seu advogado, Watson Bryant e Kathy Bates como Bobi Jewell. Jon Hamm faz de agente do FBI, responsável pelo caso e Olivia Wilde, de primeira jornalista responsável por apontar Jewell como vilão. Eastwood assina, a meu ver, o seu melhor filme desde Invictus, passando e...

As Crónicas de Frankenstein (2015)

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Em Londres no ano de 1827, um detetive segue o rasto de um assassino com gosto pelo desmembramento, até descobrir uma realidade muito mais perturbadora da qual nunca imaginou fazer parte. Uma produção de grande qualidade, com uma trama bem montada, que nos leva a um imaginário formador do mito de Frankenstein. Uma pena não ter tido continuidade.

Dia Mundial do Livro: uma seleção pessoal

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(imagem de Habibi) Não ficção Blink , Malcolm Gladwell Primeiro pergunte porquê , Simon Sinek Literatura Internacional 2666 , Roberto Bolaño A canção antes de ser cantada , Justin Cartwright A Família , Mário Puzo A febre das tulipas , Deborah Moggach A princesa do gelo , Camilla Lackberg A queda dos gigantes , Ken Follet A rapariga com brinco de pérola Baudolino , Umberto Eco Cândido ou o otimismo , Voltaire Diário de um Killer Sentimental , Luís Sepúlveda O livro dos Baltimore , Joel Dicker O miniaturista , Jessie Burton O perfume , Patrick Suskind Os anagramas de Varsóvia , Richard Zimler Os homens que odeiam as mulheres , Stieg Larsson Literatura lusófona A Cidade e as Serras , Eça de Queiroz Mar me quer , Mia Couto Morreste-me , José Luís Peixoto O livro do desassossego , Fernando Pessoa O planalto e a estepe , Pepetela Banda Desenhada A Ilha Negra , Aventuras de Tintim, Hérgé Asterix gladiador , Goscinny & Uderzo Mã Dalton , Lucky Luke, Goscinny & Morris Graphic Novels Bl...

Pai, Quero que Saibas (2009)

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É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se resume a esta luz fina a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz fina sobre mim que sou sombra, luz fina a recortar-me de mim, ténue, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és. José Luís Peixoto, in 'Morreste-me'

Drácula (2020)

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Escrito há mais de 100 anos (1897) por Bram Stocker, Drácula conta a história do mais conhecido e famoso vampiro da história do entretenimento. A sua representação na cultura pop tem sido extensa e pode dizer-se, sem medos, que todos os filmes de vampiros (Entrevista com um vampiro), Séries (Diários do vampiro), livros (série Crepusculo), jogos de vídeo (Castlevania) e mesmo telenovelas brasileiras (Vamp) descendem de si. A sua representação cinematográfica mais icónica será a de Francis Ford Coppola, em 1992. Drácula será inspirado na história de Vlad Tepes, O Empalador, também conhecido como Dracul, um nobre romeno, conhecido (ou mitificado) pelos seus atos sanguinários. No livro de Stocker, é o vampiro mais temível, que deixa a sua Roménia natal para assolar a Inglaterra vitoriana. Com tanta obra feita à volta da figura, é de espantar que a Netflix se tenha lembrando dela para lhe dar três episódios de cerca de 90 minutos, cada. Em boa hora o fez. Conhecemos o Conde Drácula, versão ...

Rebellion (2016)

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Quem conhece e gosta da Irlanda, que simpatiza com lutas pela liberdade ou se interessa pela emergência do IRA, deve ver esta série. Situada em 1916, aquando da Revolta da Páscoa em Dublin, a qual dá início a um longo e sangrento conflito entre as forças militares britânicas e os revolucionários irlandeses. Rebellion é uma produção bem conseguida, com bons desempenhos e uma coerente reconstituição da época. Merece a pena.

The last dance (2020)

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Em 1997, Phil Jackson, mítico treinador de basquetebol foi informado que deixaria os Chicago Bulls no fim da época, após ter levado o franchising a cinco campeonatos em sete épocas. Querendo despedir-se em grande, deu à sua última época em Chicago, o tema de The Last Dance. E esse é o nome da minissérie que agora se estreou na Netflix. Nela, vemos a construção da maior equipa de sempre da NBA, que até 1991 nunca tinha vencido nada. Se Phil teve um papel determinante, o foco merecido estava em Michael “Air” Jordan, o maior de sempre, que esteve nos Bulls de 1984 até 1998. É verdade que vemos os bastidores dessa época, como nunca, já que pela primeira vez uma equipa de filmagem teve autorização para acompanhar o dia a dia de uma equipa de topo, mas o melhor do documentário são as imagens do início da carreira de Jordan e do seu fiel escudeiro, Pippen. Imperdível.

Skin (2018)

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É de problemas de pele de que se fala em Skin, filme de 2018 do israelita Guy Nattiv. A pele dos outros, que não é alva e a quem os neonazis do Indiana prometem “queimar o solo”. E a pele dele. Bryon Widner, Babs para os irmãos do Vinlander Social Club. A pele dele está tatuada em todo o lado, cara incluída, com símbolos de ódio que fazem com que a vida normal se afaste dele. E só ultrapassando estes problemas de pele, é que Widner, pessoa real, se mudou para o lado dos bons. É esta jornada, do abandono de 16 anos de vida com os “feios, porcos e maus”, a que Jamie Bell, dá o corpo. Babs, contou com a ajuda de uma mulher (faz dela, uma Danielle Macdonald, em grande forma), pela qual se apaixonou e o ajudou a ter uma vida “normal”. Por ela, casa e forma uma família. Por ela, que já experimentara e não gostara de uma relação com um neonazi. E contou com um ativista para os direitos raciais, através do qual conseguiu financiamento para remover as suas tatuagens e um acordo com as autoridad...

Frontier (2016)

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Uma série muito bem realizada, com bons desempenhos, excelente fotografia e uma boa narrativa. O comércio de peles numa América em formação e em luta de territórios e sobrevivência dos nativos. Corrupção, amor e crime. Ingredientes eternos. Jason Momoa no seu melhor. 

La Catedral Del Mar (2018)

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Esta produção espanhola leva-nos à Barcelona de 1300. Arrasta-nos pelas agruras da peste negra, do machismo, da exploração do povo pela nobreza, mas também nos coloca diante da força da fé, não a fé falsa da Inquisição, mas aquela dos Homens simples diante da Virgen del Mar. Uma produção incrível, bom um belo elenco (em todos os sentidos), e a capacidade de nos recordar a importância do caráter, da dignidade e do amor, o romântico e o da mudança social. Que bem se trabalha em Espanha.

“The Stranger” (2020)

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Uma interessante produção britânica, com uma boa fotografia, que nos leva aos subúrbios de classe média-alta de Manchester e a uma teia de acontecimentos relacionados entre si a partir de uma mulher, "a estranha", que revela um segredo a cada pessoa, abalando os alicerces das vidas. Uma boa produção que poderia ser extraordinária senão tivesse caído na dimensão emocional da "estranha". Ainda assim merece ser assistida.

1917 (2019)

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Estamos em 1917, nas trincheiras inglesas, em França. Dois soldados jovens e exaustados são chamados à presença de um general. Até à manhã seguinte, menos de vinte e quatro horas depois, devem entregar uma mensagem que salvará a vida a quase dois mil soldados, incluindo o irmão mais velho de um deles. Esta é a premissa de 1917, o mais recente de Sam Mendes, que acompanha a jornada de Blake (Dean-Charles Chapman, o Tommen de Game of Thrones) e Schofield (George McKay) por trincheiras, campos, aldeias e vilas abandonadas e bombardeadas e por todos os perigos da guerra, por vezes em peripécias pouco credíveis, mas sempre temperadas com a crueza da guerra. Numa missão quase impossível que faz lembrar O Resgate do Soldado Ryan, 1917 é menos gráfico, ainda que o seja bastante (às tantas, Blake, assustando com um cadáver acaba por meter a mão no peito aberto de outro). Se a história é interessante e faz com o espetador se torça na cadeira até ao fim, é do ponto de vista cénico que 1917, nos g...

As Provadoras de Hitler (2020)

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Passados 75 anos sobre a sua morte, Adolf Hitler, uma das figuras mais macabras da história, continua a despertar a curiosidade da Humanidade. E a vender livros. É provável que isso se deva ao facto, da sua ideologia, inumana, continue a ter seguidores. É ainda mais provável que todos os outros, a maioria, queira saber como é possível que o Holocausto tenha acontecido. “As Provadoras de Hitler”, livro da italiana Rosella Postorino conta a história de mulheres simples do campo (menos, uma), chamadas diariamente a provar a comida que Hitler comeria a cada refeição. A ideia era simples e tinha sido usada antes por inúmeras figuras de poder: evitar o envenenamento. E, apesar de correrem risco de vida, aquelas mulheres, alemãs supostamente nazis, conseguiam ter acesso aos melhores alimentos, numa altura de penosa fome. No centro da trama está Rosa, berlinense de gema, órfã, que se muda para o campo para viver com os sogros enquanto o marido combate na frente. Diferente das companheiras, Ros...

Jojo Rabbit (2019)

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Aos dez anos, Jojo (Roman Griffin Davis) é um fervoroso nazi. Usa a farda da  Juventude Hitleriana  com orgulho e claro, odeia os judeus, mesmo que não conheça nenhum. Ah, e tem o próprio Adolf (Taika Waititi), como amigo imaginário. Pouco dada ao nacionalismo e à guerra é a sua mãe (Scarlett Johansson), que prefere encarar as dificuldades com bom humor e amor ao filho, enquanto o pai está fora e a filha mais velha, morreu, sem que saibamos exatamente como. Mas a determinação de Jojo é testada. Por mais do uma vez. Primeiro, sofre um acidente com uma granada que lhe deixa sequelas. Depois, descobre que a mãe esconde Elsa (Thomasin McKenzie), uma jovem judia, lá por casa. E começa a ver Elsa como pessoa normal e até como alguém sem a qual, não sabe viver. Descobre, afinal, que os judeus não têm cornos nem caudas, ao mesmo tempo que escreve e desenha um hilariante tratado sobre a sua natureza. Para Jojo, Nathan, namorado de Elsa é, afinal, o único judeu que lhe apetece odiar. Criticado p...

Bora Lá (2020)

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Quem nunca desejou que um ente querido morto, voltasse à vida, nem que fosse por um dia? É esta a premissa de Bora Lá (Onward), novíssima pérola da Pixar. Num mundo em que existem elfos, trolls, centauros ou gnomos e que dragões e unicórnios são animais de estimação, vivem os irmãos Ian e Barley, órfãos de pai, há muito. Se Barley ainda conviveu com o pai, já Ian nasceu pouco depois do pai morrer, doente. No dia do 16.º aniversário de Ian, os irmãos recebem um curioso presente. Um bastão, uma pedra mágica e um feitiço. Usando estes itens, os irmãos poderiam ver o pai por 24 horas. Mas o feitiço corre mal e só conseguem trazer de volta, metade do pai: as suas pernas e pés. Começam então uma aventura para encontrar uma nova pedra e conseguirem trazer o pai de volta, por inteiro. À medida que o tempo passa e as pedras no caminho se multiplicam, os irmãos vão convivendo com o que têm do pai e reforçando laços entre si. Não faltam motivos de gargalhada e muitos gags, mas Bora Lá, é um exerc...

I am not ok with this (2020)

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Por definição, todos fomos adolescentes deprimidos. Mais ou menos, tivemos mudanças de humor e sentimo-nos desenquadrados. Faz parte e ajuda a explicar o sucesso das séries juvenis, que acompanham o dia a dia desta faixa etária. “I´am not ok with this” é mais um sucesso da Netflix. Nela, Sydney (Sophia Lillis, conhecida pela sua participação em It), vive numa pequena cidade americana, sem saber o que fazer consigo depois do suicídio do pai. Tenta ajudar a mãe, agora assoberbada de trabalho; tenta apoiar o irmão e tenta integrar-se na escola, onde a melhor amiga namora agora com um desportista e ela própria se envolve com um “cromo” do seu bairro. Tudo isto enquanto nos momentos de desespero ou raiva, parece ter o poder de mexer objetivos ou faze-los cair. Haverá algo de estranho na sua vida, para além do que está à vista?

Sepúlveda

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Morreu Sepúlveda. A Covid 19 levou-o, quando tantos, incluíndo o regime opressor chileno, tinham tentado, sem sucesso. Morreu Sepúlveda, nome maior das letras, escritor de falsas palavras simples, mestre do realismo mágico. Morreu Sepúlveda, o homem escritor, nasce o mito. Nasce a obra importal. Tudo o que sei aprendi com um chileno radicado nas Astúrias. Tudo o que há para saber sobre humanidade, está naqueles livros de capa negra, edições dos anos 90. Morreu Sepúlveda. Viva Sepúlveda!

Trust (2020)

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Em Todo o Dinheiro do Mundo, fita de 2017, realizada por Ridley Scott, somos relembrados da terrível história da família Getty. O patriarca Jean Paul Getty, um dos homens mais ricos do mundo, recusou pagar o resgate do seu neto favorito, raptado em Roma, quando tinha apenas 16 anos. Foi o momento mais marcante de uma vida de incontável riqueza e perturbante avareza. De forma mais extensa, a HBO apresenta a história dos Getty, precisamente nos anos 70, pouco antes do rapto. Em Trust, Donal Sutherland é J. Paul Getty, avaro, frio e profundamente desiludido com os filhos. Com idade avançada, o americano viva agora numa mansão em Inglaterra, rodeado de obras de arte e com um pequeno harém ao dispor, que satisfaz graças a obscuras injeções. Vindo de Roma, onde vive com a mãe, o neto, Jean Paul Getty, O Terceiro (Harris Dickinson), conquista o avô graças à sua vivacidade e inteligência, mas desiludir o velho Getty não é coisa que se faça e o jovem é mandado de volta para Itália, onde acaba r...

All the bright places (2020)

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Já está no Netflix, o filme “All the bright places”, adaptação do livro autobiográfico de Jennifer Niven. Nele, seguimos a história de Violet (Elle Fanning), uma adolescente americana deprimida após a morte da irmã mais velha, num acidente de carro, a que a própria Violet, sobrevive. Ensimesmada e com pouca vontade de viver, Violet acaba salva por Finch (Justice Smith), o tipo “estranho” da escola que, na sequência de um projeto de Geografia, a leva a conhecer um pouco mais de Indiana e a voltar a ter vontade de viver. Mas também Finch enfrenta os seus fantasmas e tem longos períodos de depressão. Uma história aparentemente juvenil, que esconde dores e problemas, muito adultos.

Lincoln Rhymes (2020)

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Na era do Netflix ainda vale a pena ver séries na TV por cabo? Sim, mesmo tendo de esperar uma semana pelo próximo episódio. A série Lincoln Rhyme: Caça ao Colecionador de Ossos , disponível no AXN, é um thriller ao estilo norte-americano, com uma rápida cadência de cenas, alguma densidade psicológica, um bom orçamento técnico, misturando a mitologia em torno de Sherlock Holmes com a lógica de caçadores de mentes de "Mentes Criminosas". 

DE BENDE VAN JAN DE LICHTE (2018)

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Uma produção belga de qualidade, com uma cuidada recriação de época e bons desempenhos. Um épico sobre o Robin Hood belga, Jan de Lichte, que liderou os marginalizados da floresta belga de Aalst, do séc. XVIII. Uma produção ao estilo europeu, com menos efeitos especiais e maior atenção à densidade psicológicas das personagens, aos planos emocionais e às tramas. 

Alias Grace (2017)

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Baseado na obra de Margaret Atwood e adaptado por Sarah Polley, este Alias Grace é uma narrativa de época cativante e intrigante, demorada como uma boa refeição, onde importa mais a densidade da personagem e a fotografia do que a cadência da ação. Uma história sobre uma jovem irlandesa de pobres origens, emigrada para o Canadá do séc. XIX, onde, tal como muitas jovens, vai servir em casas abastadas. No entanto, violentos homicídios tornam a sua vida num pesadelo, acabando condenada e presa. Mas será, realmente, culpada? Go find . 

The English Game (2020)

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No Netflix, já mora The English Game, minisérie sobre os primeiros anos do futebol. Numa época em que o jogo era dominado pelas classes altas que o inventaram e moldaram, Fergus Suter, escocês é recrutado pelo dono de uma fábrica em Darwan, Inglaterra. Contra os costumes e leis da época, ele e o amigo Jimmy Love, tornam-se nos primeiros futebolistas profissionais, passando depois para o Blackburn. Ao mesmo tempo, percebemos como o jogo ocupa um papel central na vida da classe operária, que vê nele, como ainda hoje acontece, um escape e motivo orgulho. Estrelado por Kevin Guthrie.

Diz-me quem sou (2010)

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Jornalista freelancer com pouco trabalho e menos sucesso, Guillermo, espanhol na casa dos trinta, é convocado pela tia Marta para investigar e escrever a história de Amélia, antepassado da família sobre quem a mesma, pouco parece saber. É que Amélia abandonou Javier, avó de Guillermo, quando este era bebé. Mais motivado pelos honorários do que por outra coisa, o jornalista começa a perceber que a vida da bisavó foi bastante interessante e que a suposta menina de boas famílias, foi na verdade um poço de energia, dedicada a tarefas únicas, desde a militância comunista à espionagem. A investigação leva Guillermo a conhecer várias pessoas que conviveram com Amelia e pouco a pouco, vai reconstituindo uma vida com etapas em Madrid, Paris, Buenos Aires, México, Berlim, Varsóvia ou Nova Iorque. Amélia, bonita espanhola, sempre descrita como loira, magra, etérea e lindíssima, foi alguém com boa educação, talento para as línguas e que conviveu com a elite comunista, passando por Moscovo; privou ...

Uncut Gems (2019)

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Depois de fazer fama e fortuna com comédias patetas, amadas pelo público e desprezadas pela critica, Adam Sandler tem feito um caminho diferente, conforme comprava a sua participação em The Meyerowitz Stories. Mas é com este Uncut Gems, que Sandler tem a prestação de uma vida, num filme “sério”, por muito que dê ares de comédia negríssima. Adam é Howard Ratner, o dono de uma das lojas no Diamond Distrit, em Nova Iorque. Viciado no jogo, Ratner arranja esquemas de todo o tipo para pagar dívidas velhas e inventar novas. Sempre com cobradores no seu encalço (incluindo um membro da sua família), vai tentando manter-se como bom marido e pai, ao mesmo tempo que tem a empregada e amante, num apartamento pago por si (a amante, a bela Julia Fox, é uma das joias do enredo). Enquanto empenha um anel ali para fazer uma aposta louca acolá, Ratner recebe a possibilidade de um negócio de uma vida. Descobre judeus negros na Etiópia que lhe vendem uma opala raríssima. Se tudo correr bem, vende-a por um...

See (2019)

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See, aposta central da nova Apple TV Plus, faz a humanidade avançar mais de 200 anos no futuro. Depois de uma epidemia, o Homem existe em número muito menor do que hoje em dia, perdeu a visão e volta a viver em tribos. Na forma como lida com essa realidade, está o único motivo de interesse de uma série pós-apocalíptica que parece beber o ambiente árido e de perigo iminente de Apocalypto (Mel Gibson, 2006). No centro de tudo está Baba Voss Baba Voss (Jason Momoa no milésimo papel de guerreiro brutamontes de bom coração), chefe de uma tribo e pai adotivo de dois gémeos, exemplares raros dos novos humanos, com visão. Em busca dos filhos de Voss está uma rainha louca e malvada e o seu general. No exigente e concorrido panorama do entretenimento, See tem pouca expressão.

Bong Joon-ho

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Tenho acompanhado a carreira do realizador sul coreano Bong Joon-ho, por sorte. Vi, 2006, The Host, sucesso internacional que elevaria a sua carreira e o cinema coreano.  Vi-o por pura sorte, escolhendo com ajuda do acaso, o título, em detrimento de outros. Nele, uma estranha criatura, que aparece no Rio Han, em Seul, para terror de todos os que com ela se cruzam. Este Godzilla do Rio, apenas o segundo filme de Bong, mudou a sua vida. Em 2013, o reecontro.  Já em Hollywood e contando com estrelas de primeira – Chris Evans, Ed Harris, Jamie Bell, Tilda Swinton ou John Hurt – Bong apresenta Snowpiercer.  Num mundo futurista pós-apocalíptico, os sobreviventes de um desastre ambiental vivem num gigantesco comboio, que dá voltas incessantes ao globo, enquanto lá dentro, se desenrola uma luta de classes.  Dei com Bong, mais uma vez, em 2017, com Okja, uma produção Netflix na qual, vemos a crítica à indústria alimentar, enquanto que uma criança tenta salvar a vida à sua porca gigante, genetic...

May the 4th be with you

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