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A mostrar mensagens de junho, 2020

Shot Caller (2017)

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Numas férias da sua pele de guerreira maneta e amante da irmã, Jaime Lanister, perdão, Nikolaj Coster-Waldau, fez uma perninha como Money, durão supremacista branco que sai da prisão, 17 anos depois de lá entrar, apenas para continuar uma vida de crime. Não é que os seus sombrios supeiores hiérarquicos lhe dêm grande escolha. Percebemos depois que a vida de Money, antes Jacob, já foi burguesa e inclui um trabalho em finanças, uma bela mulher e um filho. Um acidente atirou-o para a prisão onde aprendeu a sobreviver, à custa da sua moral, do seu tempo e de se esquecer da sua vida anterior. Money tenta seguir ordens, não voltar a ser preso mas sobretudo, fintar tudo e todos, para que a sua família não sofra mais. Bom thriler.

Serotinina (2019)

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Quatro anos depois de Submissão, Michel Houellebecq regressa às livrarias com Serotonina, seu sétimo romance, onde um homem de meia idade, cínico e com pouco talento para a felicidade, está no centro da trama. Florent-Claude Labrouste, 46 anos, funcionário do Ministério da Agricultura está no centro de tudo. Pouco contente com o seu emprego e com a relação que tem com uma mulher mais nova, aproveita a descoberta de vídeos íntimos da namorada para deitar tudo ao ar. Passa então a andar por Paris, entre restaurantes, bares e lojas, tendo a sua depressão como companhia, contemplando a decadência da sociedade europeia.

Rainhas e princesas

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Estão disponíveis no HBO, três séries da Starz sobre a história de Inglaterra entre os Séc. XV e XVI, baseadas nos livros de enorme sucesso de Phillipa Gregory. A Rainha Branca (2013) Em plena Guerra das Rosas, a nobre viúva Elizabeth (Rebecca Fergunson), conquista o novo rei, Eduardo (Max Irons), mesmo que as famílias tenham estado em lados opostos da disputa. Contra o ceticismo da família de Elizabeth e a forte oposição da de Eduardo, decidida a formar uma aliança com França, Elizabeth torna-se Rainha de Inglaterra. A partir daqui as intrigas e conspirações ameaçam o casal e não há lealdades certas, destacando-se o Conde de Warwick (James Frain), Fazedor de Reis, como o grande vilão. Nomeado para vários prémios, A Rainha Branca, é um fresco impressionante de uma época decisiva da história inglesa. A Princesa Branca (2017) Quatro anos mais tarde, a Starz voltou a recorrer à mesma fonte. Elizabeth (Jodie Comer) é uma nobre da casa de York que tem a missão de, a contragosto, casar com o...

The Act (2019)

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Dee Dee Blanchard, norte-americana, mãe dedicada de Gipsy, uma adolescente que viveu toda a vida com problemas de saúde, foi assassinada em junho de 2015. Não muito tempo depois descobriu-se que fora Gipsy a autora moral do crime e que tinha usado Nick, seu namorado (apenas online, na maior parte do tempo) como braço armado. Esta história real deu azo a The Act, série da Hulu, exibida em Portugal pela HBO com Patricia Arquette como Dee Dee e Joey King como Gipsy. Mas o que motivou Gipsy a mandar matar a mãe que cuidara dela toda a vida? Bem, esse era precisamente o problema. Gipsy era uma adolescente perfeitamente normal e nunca precisou dos cuidados de saúde (incluindo cadeira de rodas e alimentação por um tubo) que a mãe lhe prestou. E Dee Dee, com um claro distúrbio, só o fez para manter a filha sob a sua proteção e controlo e tirar daí proveito financeiro e material (doações de bens e dinheiro e a casa onde viviam). Farta das limitações que nem tinha, Gipsy, com a ajuda de Nick (e ...

Uma gaiola de ouro (2019)

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Não é de crer que Camilla Lackberg se tenha fartado do seu casal de heróis, Patrick e Erica, centrais na sua obra mas, desta vez a história que nos traz não é passada em Fjallbacka nem tem o simpático polícia e a determinada escritora como protagonistas. Desta vez, conhecemos outro casal, bastante mais rico, mas bastante menos harmonioso. “Uma gaiola de ouro”, apresenta Faye, nos seus trintas mas totalmente devotada ao marido e à filha, fazendo de tudo para que o marido se concentre apenas na empresa e nos negócios. E fazer tudo, inclui esquecer-se de cuidar de si e esquecer-se que teve um papel determinante no início da empresa. Quando se vÊ traída por uma mulher mais jovem e espoliada da fortuna que ajudou a construir, Faye arquiteta uma terrível vingança que traga ao ex-marido, a pobreza e a humilhação. Escrito com a mestria habitual, este é mais um êxito da rainha do policial nórdico.

Trinkets (2019-?)

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Estamos em Portland, em 2019, e entramos num liceu local. Vemos Elodie (Brianna Hildebrand, a adolescente de cabelo rapado de Deadpool), a chegar a uma nova cidade, depois da morte da mãe, para viver com o pai e debater-se com a sua sexualidade; vemos Moe (Kiana Madeira), determinada a mostrar-se como rebelde insensível enquanto tem um romance secreto com um dos rapazes populares e vemos Tabitha (Quintessa Swindell), a rapariga mais bonita e rica da escola que namora com o seu equivalente masculino mas que nem por isso é feliz. E as três juntam-se num grupo de apoio para pessoas viciadas em…roubar. As suas dores e anseios ficam suspensos quando fazem pequenos furtos em lojas. E esse facto torna-as inseparáveis.

Mergulhando em Agustina

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Atemorizado pela sua escrita densa e er, iniciei-me em Agustina, já depois da sua morte, com a edição recente de Party/A Casa, duas coleções de diálogos para filmes de Manoel de Oliveira. Pude constatar (não que fosse necessária a minha validação) que o epiteto de génio, frequentemente atribuído a Agustina, é mais do que justo. Este, lê-se de uma penada e é uma delícia completa. Já sei que os outros vão ser uma missão mais dura mas pelo que se diz, igualmente prazerosa. Vou então, subir de nível. 

Toy Story 4 (2019)

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Para os lados da terra do Toy Story, as boas ideias não se esgotam e o capítulo quatro, não sendo tão feliz como o terceiro, é um filme obrigatório para os fãs de cinema de animação (e todas as outras pessoas, já agora). Andy, a criança original de Woody (voz de Tom Hanks), já lá vai ao tempo e o cowboy e sua companhia fazem agora parte do baú de Bonnie, mesmo que a menina pouco ligue a Woody, habituado a ser a estrela da companhia. Quando a criança faz com as suas mãos um estranho brinquedo a partir do lixo – Forky – torna-se missão de Woody, proteger Forky e manter Bonnie feliz, ao mesmo tempo que começa a pensar no seu próprio bem estar e  no reencontro com Bo, o seu amor perdido.

Jiro Taniguchi

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Chamo ao blogue Jiro Taniguchi. Taniguchi, japonês, que nos deixou em fevereiro de 2017, aos 69 anos, foi um mestre da banda desenhada, distinguindo-se na manga e nas graphic novels. Vencedor por duas vezes (caso único entre os japoneses) do Festival de Banda Desenhada de Angoulême, Taniguchi teve uma carreira marcada entre a ponte entre a banda desenhada japonesa e a ocidental. Depois de ter sido empregado de escritório, começou a carreira como assistente de Kyota Ishikawa tendo publicado a sua primeira história em 1970. Foi nos anos 70 que conheceu a banda desenhada europeia, que para o sempre o influenciou. Teve uma carreira recheada, da qual destaco dois títulos: O Diário De Meu Pai e Terra De Sonhos. Em O Diário de Meu Pai, Taniguchi conta a história de Yoshi que regressa a Tottori, sua terra natal, para assistir ao funeral do seu pai e descobrir afinal quem era aquela homem austero. Numa viagem às suas raízes, Yoshi começa a perceber que a vida do país foi muito mais do que aquil...

Livros: novidades

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A arte da guerra Versão novela grafica Sun Tzu 20 20 Editora

Hollywood (2020)

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Ainda em visionamento, a série Hollywood além do excelente trabalho de reconstituição material, do guarda-roupa ao cenário, é um divertido convite à reflexão sobre como o cinema sempre foi produtor e reprodutor de estereótipos -- da negra serviçal à asiática inadequada para o papel de asiática por ser excessivamente asiática --, assim como se apresenta como reflexo dos meandros de uma sociedade onde o sucesso, a prostituição e os favores sexuais sempre fizeram parte do  show business . 

Comedians In Cars Getting Coffee (2012-?)

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Jerry Seinfeld não precisa de dinheiro nem de notoriedade, o que torna Comedians In Cars Getting Coffee mais interessante ainda. Vê-se que as conversas de Seinfeld com outros membros da realeza norte-americana (e não só) do humor (e não só) são sinceras e que dão genuíno gozo ao host (bem, umas mais do que outras). Escolhido um carro (a grande paixão do comediante) por episódio que reflita a personalidade do convidado é tempo de conversar sobre tudo e nada com o humor que se espera, passando por sessões de café e comida. São viciantes chávenas de cerca de 15 minutos, disponíveis na Netflix.

Orange is the new Black (2013-2019)

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Só agora, cerca de cinco anos depois do lançamento, chego a este Orange Is The New Black (OITNB) , série de culto, desenvolvida por Jenji Kohan, Sara Hess e Tara Herrmann, que vai para a sétima temporada. Baseada na história de Piper Kerman e nas suas experiências na FCI Danbury, OITNB conta a história de Piper Chapman. Piper Chapman (Taylor Chapman) é uma betinha. A sua família tem dinheiro e Piper tem estudos, casa, um pequeno negócio em ascensão e um namorado sólido, Larry Bloom (Jason Biggs), um escritor com pouco trabalho. Não fora um erro do passado e Piper teria uma vida tranquilo. Não fora, durante uma relação lésbica com uma traficante de droga, ter sido correio de droga e tudo poderia ser calmo na sua vida. Dando-se como culpada antes de ser apanhada, Piper entrega-se para 15 meses de prisão, testando as suas relações do exterior, criando outras no interior e sobretudo, testando-se a si. Na prisão, passamos a conhecer um ecossistema muito próprio. Na cadeia de comando há Figu...

Um lugar silencioso (2018)

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Num futuro próximo, o Mundo vê a sua população diminuir à custa de uma raça extraterrestre assassina. As criaturas, letais e rapidíssimas, descobre-se, são cegas e a forma de as evitar é praticar o mais absoluto silêncio. É esta a premissa do novo filme de John Krasinski, protagonizado pelo próprio e pela sua mulher, Emily Blunt. John tenta ser o garante da coesão e sobrevivência da mulher, do filho por nascer e dos dois que já tem. O desenvolvimento não é tão bom como a premissa, mas este é sem dúvida um exercício original e interessante.

A Possibilidade de Uma Ilha (2005)

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A Possibilidade de Uma Ilha é-nos contado através das entradas de três diários. O mais extenso é o de Daniel 1, comediante francês de meia-idade, inteligente, cínico e com grande apetite sexual (como todas as personagens centrais de Michel Houellebecq) que após ter perdido o gosto pela carreira e ter ganho vários milhões, vive uma vida sem grande sentido, indo-se distraindo com Esther, uma jovem e debochada espanhola e com os Eloim, uma estranha seita que evolui para a resposta do ser humano à imortalidade. Os outros diários são os de Daniel 24 e 25, neo-humanos, descendentes diretos de Daniel, criados como parte de uma nova e melhorada raça mais ou menos humana. É mais um soco de Houellebecq, provavelmente o autor mais interessante e inquietante da atualidade, que nos faz pensar na velhice, embrulhando essa angústia pessoal numa ficção científica de segunda.

Mitologia Nórdica (2017)

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A influência da mitologia nórdica (e não só) na obra do inglês Neil Gaiman (radicado nos EUA) é bastante óbvia. Não admira que o autor de American Gods, Good Omens ou Sandman tenha dedicado um livro a simplificar a mitologia nórdica, peneirando algumas histórias de Odin, Thor ou Loki, hoje em dia mais conhecidos pelos filmes da Marvel. Em Mitologia Nórdica, Gaiman conta-nos como foi criado o mundo dos homens, como foram criados os próprios seres humanos, como Thor ganhou o seu martelo ou como Odin perdeu o olho. Uma lição.

Blankets (2003)

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Blankets, graphic novel autobiográfica de Craig Thompson, tem colhido louros desde o seu lançamento em 2003. Só esta semana, com a compra da belíssima edição portuguesa de capa dura, pude testemunhar a justiça de tudo o que se tem dito sobre o livro. Thompson, em mais de 600 páginas a preto e branco, conta como foi a sua vida até à idade adulta. Vemos, sem tabus, como era a sua relação com os pais – pobres, rígidos e profundamente cristãos; com o irmão, com quem partilhou cama, abusos e o amor pelo desenho e com o meio rural e redneck onde vivia. Mas há duas relações que mostram ser ainda mais profundas. A primeira, é com Deus. Thompson luta constantemente com a sua fé, ora querendo abraça-la (ser sacerdote é sugerido), ora negando-a. A segunda é com Raina, o seu primeiro amor. Dessa relação nasce o trecho mais comovente do livro, com Craig a passar com ela e com a sua família, duas semanas onde tenta equilibrar a culpa cristã com as tentações da carne e onde para além de Raina conquis...

Álbuns da minha vida | Dangerous (1991)

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Lançado em 1991, este álbum de Michael Jackson está intimamente ligado às minhas memórias de infância. Adquirido naquele ano em cassete (já há toda uma geração que não sabe o que é uma cassete e que desconhece a relação entre esta e um lápis ou caneta bic), acompanhou-me nesse Verão, alto e bom som, quando fiz, com os meus pais, o trajeto em direção à Costa Vicentina e, depois, em sentido contrário, de regresso a Lisboa, pela estrada nacional, o que significava passar umas boas horas, ao calor, enfiado em filas extensas, que permitiam sair do carro, ir ao café comprar água e voltar. Apesar de tudo, porque a nostalgia é tão  golden , até isso era bom, porque se ouvia e voltava a ouvir, "Black or White", aquele gesto de "puxar a cassete atrás", ato com um som tão próprio. 

Trumbo (2015)

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Trumbo leva-nos até à Hollywood de 1947 onde Dalton Trumbo (Brian Cranston) é um guionista de topo. O único problema é que é assumidamente e orgulhosamente comunista (como explica à filha mais nova de forma genial a dada altura do filme). Nada interessado em abrir mão dos seus ideiais, ele e outros 9 na mesma posição como Arlen Hird (Louis CK) ou Ian McLellan Hunter (Alan Tudyk), deixam de poder trabalhar para os grandes estúdios. É nessa altura que Trumbo, como forma de ganhar a vida, defender os seus pares e prestar homenagem aos milhares de americanos colocados na "lista negra" como a virar o jogo, passando a escrever compulsivamente e cobrando menos, dominando, sob vários pseudónimos, Hollywood até que o seu envolvimento se tornou essencial para a indústria e para alguns dos seus protagonistas que o procuraram como Kirk Douglas (Dean O´Gorman) ou Otto Preminger (Christian Berkel). Pelo caminho, Trumbo, sacrifica a sua vida familiar com destaque para a relação com a mulher...

Ready Player One (2011)

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Ready Player One é um dos livros que mais me prendeu nos últimos anos. Mesmo depois de ter lido alguns volumes bastante interessantes. Saído da mente de Ernest Cline (escritor, argumentista, pai e geek), leva-nos até 2044. A Terra é um lugar triste, em colapso graças a fome, pobreza, doenças, guerras e escassez de energia. Neste mundo, os mais pobres vivem em roulottes mas, em vez delas estarem no chão, estão amontoadas em torres. É neste novo tipo de bairro da lata que vive o adolescente Wade Watts, órfão e sem grandes esperanças na vida. Existe apenas um escape: o OASIS. Criado por um mago tecnológico, o OASIS é uma plataforma de realidade virtual que permite aos seus utilizadores fazerem um pouco de tudo: desde ir gratutamente às melhores escolas até travarem batalhas num dos milhares de mundos disponíveis. Sendo o acesso à OASIS gratuito, é lá que Wade passa grande parte do seu dia, bem como o resto da humanidade. Mas o OASIS muda quando o seu criador morre. O testamento dá acesso ...

Atentado ao Hotel Taj Mahal (2018)

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Quando, em 2008, Mumbai foi o sangrento epicentro de um ataque terrorista onde 164 pessoas foram assassinadas e mais de 300, foram feridas, o luxuoso hotel Taj Mahal ficou para a história graças à coragem dos seus funcionários. Seguindo a sua filosofia de que o hospede é Deus, os funcionários não abandonaram o hotel durante o ataque e mesmo sob perigo de vida continuaram sempre a zelar pelo bem-estar dos seus clientes. Arjun (Dev Patel), empregado de mesa e Oberoi (Anupam Kher), renomado chef, estiveram entre aqueles que mais se arriscaram para salvar a vida a diversos hospedes. Sempre no mesmo ambiente – dentro do hotel – o filme consegue escapar quase sempre ao inevitável tédio, contando uma bonita história de bravura, contrastante com a cobardia dos assassinos a sangue frio.