Às portas da eternidade (2019)

A obra de Vicent Van Gogh dispensa apresentações. A vida do pintor, nem tanto. O mesmo terá pensado Julian Schnabel que usou William Defoe (nomeado para Oscar de Melhor Ator) para dar corpo a um Van Gogh nos últimos anos da sua vida, os mais atormentados e os mais produtivos. Com planos à la Malick, o realizador apresenta-nos Van Gogh como um homem despojado de bens materiais cujos dias se resumem a pintar, sobretudo a natureza do campo francês. Ao mesmo tempo, vemo-lo como um pária na pequena cidade onde vive e ninguém o compreende, o que lhe vale acessos de loucura e muita bebida. Preocupado com o legado que deixará, Van Gogh pinta sem parar mesmo que apenas o seu irmão e mecenas, Theo (Rupert Friend), acredite nele. Até o amigo Gauguin (Oscar Isaac) passa algumas semanas na sua companhia, mais pelo patrocínio de Theo do que outra coisa, levando Vicent a um acesso de loucura na sua partida. Segue-se o hospício de San Remy (fabulosa a cena com o padre interpretado por Mads Mikkelsen) e por fim, a pequena Auvers-sur-Oise onde pinta como nunca, até à hora de uma morte estúpida, aos 37 anos. Filmado e contado de forma pouco tradicional, este é um testemunho de uma vida atormentada.
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