Era uma vez em Hollywood (2019)

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“Era uma vez em Hollywood”, o novo de Tarantino, não me arrebatou como “Inglorious Basterds”, “Kill Bill” ou “Django”, os meus filmes favoritos de Quentin. Nem sequer, me arrebatou moderadamente como Jackie Brown ou Cães Danados. Aqui chegado, percebo estar a pôr-me a jeito de insultos e havendo tantos milhares de pessoas que percebem mais de cinema do que eu, tais insultos serão justificados. Aceito-os. Mas esta é apenas uma opinião.


“Era uma vez…”, durante e depois, não me conquistou. É longo de mais (isso, mantenho), com toques de aborrecimento (mantenho) e parece não ter história (mantenho, mas isso não é mau). E é esta última parte que eu não entendi de imediato. Tarantino sabe escrever boas histórias. Se “Era uma vez…” parece não a ter é porque Tarantino não quer e porque não é preciso. “Era uma vez…” é um filme que presta homenagem ao cinema e televisão, sobretudo dos anos 60, como foco no western e no western azeiteiro europeu, filmado em Itália. É uma grande homenagem em forma de filme e isso não é mau, assim o público esteja preparado para apanhar uma boa percentagem das referências que Tarantino nos atira.


Mas há alguma história. Três, até. No centro de tudo está Rick Dalton (Leo DiCaprio), um ator que já viveu melhores dias e vai fazendo aparições aqui e ali, mas muito longe dos dias de glória que teve numa série western (o género é convidado de honra da fita). As lembranças dos trabalhos da sua carreira e as participações em séries e filmes servem para que Tarantino se divirta à grande, filmando DiCaprio em vários papeis e géneros, como se tivéssemos mesmo nos anos 60. Há filmes e séries dentro do filme. Já vale o bilhete.


Cliff Booth (Brad Pitt), é o seu fiel escudeiro. Já teve também dias melhores como duplo de Rick, agora é seu moço dos recados. Mas também tem gostos (muito boa a sequência da sua rotina diária depois de sair do serviço de Rick), ambições e desilusões. Tambem tem pequenas aventuras como aquela em que leva uma hippie giraça até um certo rancho onde se filmava a série de maior do sucesso da sua carreira e que passa a servir de quartel general para o grupo de Charles Manson.


A terceira história é a de Sharon Tate (Margot Robbie), atriz em ascensão, recém-casada com Roman Polanski (Rafal Zawierucha), no rescaldo do sucesso de “A semente do diabo”. Sharon maravilha-se com os seus filmes (muito boa a cena em que vai ao cinema ver a reação do público à sua interpretação) e, já grávida, conta com o apoio de amigos para passar o tempo, enquanto que Polanski filma em Londres…


“Era uma vez em Hollywood”, o novo de Tarantino, não me arrebatou como “Inglorious Basterds”, “Kill Bill” ou “Django”, os meus filmes favoritos de Quentin. Nem sequer, me arrebatou moderadamente como Jackie Brown ou Cães Danados. Aqui chegado, tenho que olhar para o meio do meu texto e perceber que nada falta em “Era uma vez…” para que seja um sucesso fulgurante e uma grande lição de cinema.

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