Soneto Segundo


Danse Macabre



«Caístes-me tão asinha
caíram as esperanças.» — Sá de Miranda



 


Onde estará meu Rei no obscuro
Silêncio do espírito? No exílio,
A ouvir minha voz e martírio?
Oh! Campos, travessias, do maduro


 


Amor imerecido, a inocência
Que floresce na impermanência
Das luas — o que me resta das crenças
Idas, das noites de fome, ciência


 


Sabida por meus velhos membros?
Vaguei cego no tempo invisível,
Nas rosas e gramados entardecidos.


 


Mas hei de transcender o tempo:
Corpo à terra, em regresso, na falível
Sombra que caminha a ossos vivos.

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