A improvável viagem de Harold Fry

 



 


 


Harold Fry é um respeitável reformado inglês que decide fazer 1.000 quilómetros a pé para visitar uma amiga moribunda. Passo a explicar. Fry, reformado há poucos meses de uma fábrica de cerveja na qual era comercial, passando dias a fio num carro sem tocar a vida de ninguém, tem uma vida tédio, em casa, sem nada que fazer, tendo como companhia a mulher Maureen, com quem já se deu melhor e Rex, um solitário e chato vizinho viúvo. Um dia, enquanto tomava o pequeno-almoço, recebe uma carta de Queenie, uma antiga colega de trabalho que não via há 20 anos. A pobre senhora está a morrer de cancro, numa aldeia semelhante à sua mas, a 1000 quilómetros de viagem. Transtornado, apressa-se a escrever de volta. E, de gravata, casaco e com os seus sapatos de vela, sai de casa para colocar a carta no correio. No entanto, falha esse simples objectivo, já que, decide andar até Queenie. É isso mesmo, após uns quilómetros, encontra uma jovem empregada de uma bomba de gasolina (onde come, pela primeira vez um hambúrguer trazido à vida pelos poderes de um microondas) que lhe fala sobre a importância da fé. É este o clique que o faz decidir ir a pé até Queenie, pedindo-lhe que viva até à sua chegada, acreditando que a sua caminhada fará a amiga viver mais e, quem sabe, livrar-se da doença. E é assim, quase de ânimo leve, que um reformado inglês começa a aventura de uma vida, na qual, terá tempo para pensar em tudo o que foi a sua vida e nos falhanços que teve como marido, pai e amigo e naquilo que sofreu como filho...marido, pai e amigo. É isso mesmo: a caminhada de Fry rumo a Queenie é mais uma caminhada de Fry rumo a Fry. Pelo caminho, vão aparecendo uma série de personagens que dão força a Harold rumo ao objectivo. Um livro tocante que parece ser simples mas sabe sempre dar coices ao leitor nos momentos certos.

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